O acabamento superior da cortina — ilhós, pregas, wave — é tratado como detalhe estético, e é onde se decide silenciosamente a maior parte do orçamento.
O motivo é simples: cada acabamento exige uma quantidade diferente de tecido. Uma cortina com franzido de 3 vezes a largura do vão usa 50% mais tecido que uma de 2 vezes. Como o tecido costuma ser a maior linha do orçamento, essa escolha muda o preço final mais que o modelo do trilho ou a cor escolhida.
E ela muda também como a cortina cai, como empilha, o quanto ela corre bem e se dá para motorizar. Este guia compara os acabamentos por esses critérios.
O número que resume tudo: o multiplicador
Antes dos nomes, o conceito. Franzido é a razão entre a largura do tecido plano e a largura que ele ocupa instalado.
- 1,5× — franzido pobre. A cortina fica quase esticada, com ondas rasas. Comum em peça pronta muito barata
- 2× — o mínimo aceitável para um caimento razoável
- 2,5× — o padrão de uma cortina bem-feita
- 3× — cortina cheia, com ondas profundas. É o que dá aquele aspecto de hotel
A consequência é direta no bolso: numa janela de 3 metros, um franzido de 2 vezes consome 6 metros de tecido, e um de 3 vezes consome 9. Se o tecido custa cem reais o metro, essa escolha sozinha vale trezentos reais só na matéria-prima.
E o multiplicador importa mais que a estética em alguns casos. Tecido denso, veludo e blackout ficam bons com 2 a 2,5 vezes, porque acima disso o volume fica excessivo e o peso vira problema. Já voil e tecidos leves precisam de 2,5 a 3 vezes, senão parecem uma folha esticada.
E há um efeito que quase ninguém antecipa: franzido cheio absorve mais som e acumula mais poeira. Os dois lados da mesma moeda.
O comparativo direto
| Franzido usual | Sistema | Como empilha | Corre bem? | |
|---|---|---|---|---|
| Ilhós | 2× a 2,5× | Só varão | Onda larga, ocupa mais | Bem, em barra lisa |
| Pregas francesas | 2,5× a 3× | Trilho ou varão com argola | Muito compacto | Muito bem |
| Wave | 2× a 2,5× | Só trilho específico | Compacto e regular | Excelente |
| Franzido com fita | 2× a 2,5× | Trilho ou varão | Irregular | Razoável |
| Presilha ou passante | 1,5× a 2× | Só varão | Ocupa muito | Mal — muito atrito |
Ilhós: o mais simples que existe
Anéis metálicos ou plásticos aplicados diretamente no topo do tecido, atravessados pela barra.
Ele é tão popular por um motivo prático: a instalação é literalmente enfiar a cortina no varão, sem gancho, argola, regulagem nem montagem. A peça pronta de loja quase sempre é assim, e por isso é a opção mais barata do mercado.
O visual são ondas largas, regulares e profundas, de leitura contemporânea e um pouco informal. Como a onda é definida pelo espaçamento dos ilhoses, ela fica constante, e a cortina cai sozinha certinha mesmo nas mãos de quem não sabe arrumar.
Os limites, porém, são reais:
- Só funciona em varão. Se você precisa de trilho, o ilhós está fora
- Empilha mais aberto. Recolhida, a cortina de ilhós ocupa mais parede que uma de pregas
- A onda fica sempre solta. Ela não fecha totalmente contra a parede no topo, e a luz escapa por ali — o que pesa em quarto
- O anel pode oxidar em ambiente úmido, marcando o tecido. Vale confirmar o material do ilhós antes de comprar para banheiro ou área de serviço
- Ele desliza mal em barra texturizada. Barra lisa é obrigatória para a peça correr bem
Ele é a escolha certa em sala, quarto de estilo despojado, quarto alugado, e sempre que o orçamento manda.
Pregas francesas: o acabamento formal
Também chamadas de prega tripla ou prega pinça: o tecido é dobrado em três pontas costuradas juntas, reforçadas por entretela, em intervalos regulares.
O visual é clássico e formal. A prega mantém a forma tanto aberta quanto fechada, o que dá à cortina um aspecto arrumado permanente, e é o acabamento de hotelaria e de projeto de arquitetura tradicional.
Tem uma vantagem funcional que raramente se cita: por dobrar de forma calculada, a cortina de pregas empilha muito compacta quando aberta, e em janela onde a vista importa isso significa menos vidro coberto.
As contrapartidas são estas:
- É o acabamento que mais consome tecido, tipicamente 2,5 a 3×
- A confecção é mais cara, porque a prega é costurada uma a uma com entretela
- A lavagem exige cuidado. A entretela pode encolher em ritmo diferente do tecido, e a prega perde a forma. Em fibra natural, prefira lavagem profissional
- Precisa de gancho e sistema compatível — trilho, ou varão com argolas que recebam o gancho
A variação mais comum é a prega americana, com duas pontas em vez de três. Ela consome um pouco menos de tecido, tem leitura mais leve e é uma boa opção intermediária.
Wave: a onda contínua
O sistema mais recente dos três. Uma fita especial costurada no topo prende a cortina a cursores espaçados de forma calculada num trilho próprio. O resultado é uma onda contínua, idêntica do topo até a barra.
Ele resolve um problema antigo. Nos outros acabamentos, a onda é definida na costura e tende a se desalinhar com o uso, de modo que a cortina abre torta e alguém precisa arrumar as dobras com a mão. No wave, a onda é mantida pelos cursores, que ficam sempre à mesma distância, e ela não desarruma.
Os pontos fortes:
- Caimento uniforme e contemporâneo, sem quebras
- Corre com muita suavidade, porque o peso se distribui igualmente
- Consome menos tecido que as pregas francesas, tipicamente 2 a 2,5×
- Empilha compacto e de forma previsível
- É o melhor acabamento para motorizar, porque o movimento é regular e sem travamento
E os limites:
- Exige trilho específico, com o espaçamento correto de cursores. Não se adapta a trilho comum, e nunca a varão
- Custa mais no sistema, ainda que economize no tecido
- Pede pé-direito e vão generosos para ficar bonito; em janela pequena, a onda fica desproporcional
- Precisa de instalação precisa. Trilho torto estraga justamente o que o sistema promete
O comparativo entre os dois sistemas de sustentação está em trilho ou varão.
A largura do tecido e as emendas
Há um segundo fator que mexe no orçamento tanto quanto o franzido, e que quase nunca é explicado: a largura do rolo de tecido.
Tecido de largura simples, em torno de 1,40 m, é a maioria do mercado. Para uma cortina mais larga que isso, é preciso costurar panos lado a lado, e cada emenda é uma costura vertical visível. Boa confecção posiciona a emenda dentro de uma prega, onde ela desaparece, enquanto confecção descuidada deixa a costura no meio de uma onda, à vista.
Tecido de largura dupla, de 2,80 a 3,00 m, é vendido como altura de trilho e usado deitado: a largura do rolo vira a altura da cortina. Isso permite peças de até quase três metros de altura sem nenhuma emenda horizontal, e é a razão de esses tecidos existirem.
A conta muda bastante com um e com outro. Com tecido de largura dupla, uma cortina de 4 metros de largura e 2,60 de altura sai de um corte contínuo; com tecido simples, ela exige três panos costurados.
E há o detalhe que encarece sem aviso, o rapport. Tecido estampado tem um desenho que se repete a cada tantos centímetros e, para que a estampa case entre os panos, é preciso desperdiçar parte de cada corte. Rapport grande pode aumentar o consumo em 10% a 20%, e isso raramente é mencionado antes do orçamento fechado.
Some ainda:
- 20 a 30 cm de sobra para bainha e barra
- Margem para encolhimento, em fibra natural que não seja pré-encolhida
- A altura real, medida no ponto de instalação, não no vão
Uma pergunta evita a surpresa: o orçamento é por metro de tecido consumido ou por metro linear de janela? São contas diferentes, e a confusão entre elas é fonte constante de discussão.
Os acabamentos que decepcionam
Vale conhecer para não escolher por engano.
- Franzido com fita franzidora. Uma fita com cordões que, ao serem puxados, encolhem o topo do tecido. É barato e universal, e o franzido sai irregular, com aspecto amassado na parte superior. É o acabamento da maioria das cortinas prontas de baixo custo
- Presilha e passante de tecido, o tab top, com alças de tecido que envolvem a barra. Tem leitura rústica e agradável, e o atrito é alto: a cortina corre mal, e cada abertura exige puxar em vários pontos, então só faz sentido em peça que fica quase sempre parada
- Ilhós de plástico fino em cortina pesada, porque o anel deforma e rasga o tecido em volta com o tempo
- Franzido abaixo de 2 vezes em qualquer tecido, porque a cortina parece uma folha esticada e nenhum tecido bonito salva esse caimento
O acabamento certo para cada objetivo
- Para escurecer um quarto, pregas francesas ou wave em trilho com retorno nas pontas, porque o ilhós deixa passar luz pelo topo das ondas e isso é visível de madrugada
- Para uma janela em que a vista importa, pregas francesas, pelo empilhamento compacto
- Para motorizar, wave, com folga
- Para o menor custo, ilhós, em franzido de 2 vezes, com tecido de largura padrão
- Para tecido leve e voil, franzido de 2,5 a 3 vezes em qualquer sistema, porque aqui o multiplicador importa mais que o acabamento
- Para peça muito pesada, pregas ou wave em trilho estrutural, já que o ilhós concentra o peso nos anéis
- Para quem aluga, ilhós em varão, que instala em minutos e sai inteiro na mudança, como detalhado em cortinas para apartamento alugado
Como decidir
- Defina o sistema primeiro: varão elimina o wave, trilho elimina o ilhós
- Escolha o multiplicador conforme o tecido: leve pede 2,5 a 3×, denso fica bom em 2 a 2,5×
- Calcule o custo do tecido nos dois multiplicadores antes de decidir, a diferença costuma surpreender
- Verifique a largura útil do tecido escolhido, porque emendas mudam a conta
- Considere o empilhamento, se a vista pela janela importa
- Confirme se haverá motorização, o que aponta para wave
- Pergunte sobre a lavagem do acabamento, especialmente com entretela
- Cheque o material do ilhós, se o ambiente for úmido
- Peça foto da peça aberta, e não só fechada
- Confirme quem fornece os ganchos e cursores, item que costuma faltar na entrega
Os erros mais frequentes nessa etapa estão reunidos em erros mais comuns ao comprar cortinas, e o guia de tecidos em tecidos para cortinas.
Perguntas frequentes
O que é franzido 2× ou 3×? É quanto tecido plano existe em relação à largura instalada. Franzido 2× significa que uma janela de 3 metros recebe 6 metros de tecido. Abaixo de 2× a cortina parece esticada; 2,5× é o padrão de uma peça bem-feita; 3× dá o aspecto cheio de hotelaria.
Qual acabamento consome menos tecido? Ilhós e wave, tipicamente entre 2 e 2,5×. As pregas francesas costumam pedir 2,5 a 3×, o que aumenta bastante a conta em janela grande. Como o tecido é quase sempre a maior linha do orçamento, essa diferença muda o preço final de forma perceptível.
Ilhós funciona em trilho? Não. O ilhós é um anel que envolve a barra, e depende de varão. Para trilho, os acabamentos compatíveis são pregas com gancho, franzido com fita ou wave, este último exigindo um trilho específico, com o espaçamento de cursores correto.
Wave vale a pena? Vale quando o vão é generoso, a cortina abre e fecha com frequência ou haverá motorização. A onda é mantida pelos cursores, não pela costura, então ela não desarruma com o uso. Em janela pequena, a onda fica desproporcional e o custo do trilho não se justifica.
Qual acabamento escurece melhor um quarto? Pregas ou wave em trilho com retorno nas pontas, porque o tecido fecha contra a parede. No ilhós, o topo de cada onda fica afastado da barra e deixa passar um fio de luz, pouco de dia, bem visível de madrugada.
Cortina de presilha é boa? É bonita em ambiente rústico e péssima para uso diário: o atrito das alças na barra é alto, e a cortina precisa ser puxada em vários pontos para correr. Só faz sentido em peça decorativa, que fica praticamente sempre na mesma posição.
Posso mudar o acabamento de uma cortina que já tenho? Em alguns casos sim, refazendo o cabeçalho, trocar franzido com fita por pregas, por exemplo. O que raramente compensa é converter para wave, porque exige trilho novo e a largura de tecido precisa bater com o espaçamento dos cursores.
As pregas desmancham na lavagem? Podem perder a forma se a entretela encolher em ritmo diferente do tecido, o que é mais provável em fibra natural. Confirme se a entretela é pré-encolhida e, em peça de linho ou algodão, prefira lavagem profissional a lavar em casa.

Escrito por
Josimar Tavares
Instalador e consultor de cortinas e persianas
Trabalho com cortina e persiana há mais de 12 anos — medindo, instalando e consertando o que catálogo nenhum explica. Já passei de cinco mil casas nesse tempo, e quase tudo que escrevo aqui saiu de erro que vi de perto: a janela medida no lugar errado, o blackout que vazava luz pela lateral, a peça cara que não resolvia o problema do cômodo. Escrevo para você comprar com critério, mesmo que não compre comigo.
- Na área há
- 12 anos
- Clientes atendidos
- +5.000
Se a dúvida for sobre a sua janela
Fora do site eu meço, oriento e instalo. Se você empacou em alguma decisão daqui, me manda uma foto da janela pelo WhatsApp que eu falo o que faria no seu caso — mesmo que a compra não seja comigo.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Não substitui avaliação técnica presencial, projeto assinado por profissional habilitado nem orientação médica em questões de saúde, alergia ou sono. Preços, percentuais e especificações são estimativas de mercado e dados divulgados por fabricantes, sujeitos a variação por região, marca e fornecedor. Leia o Aviso Legal. Última atualização em 07 de outubro de 2026.



