A fresta de cima: a limitação que define o produto
Antes de qualquer outra coisa, é preciso ser claro sobre isto, porque é a origem de quase toda frustração com ilhós.
A cortina com ilhós sempre deixa passar luz pelo topo. A causa é geométrica, e não defeito de fabricação ou de instalação. O tecido nasce abaixo do varão, e as ondas se abrem alternadamente para frente e para trás no cabeçote. Entre a onda que vai para trás e a parede, fica um vão aberto por onde a luz entra, e ela entra ao longo de toda a largura.
Daí vem o erro de compra mais comum com esse acabamento: um ilhós em tecido blackout não escurece um quarto. O painel bloqueia a luz que o atravessa, mas a claridade que entra por cima clareia o cômodo inteiro. Quatro caminhos atenuam ou resolvem:
- Bandô ou testeira cobrindo o varão e a faixa superior, que é a única solução real
- Subir muito a fixação, o que reduz o impacto mas não elimina
- Uma segunda camada, com rolô blackout colado ao vidro atrás
- Trocar de acabamento, se escuridão for o objetivo
Para quarto que precisa de escuro, o caminho é blackout em trilho instalado por fora do vão, ou rolô blackout. O raciocínio completo sobre por onde a luz entra está no guia de bloqueio de luz.
Diâmetro e espaçamento: os dois números que fazem funcionar
O ilhós é simples, e é justamente por isso que dois números decidem se ele desliza bem ou trava.
O diâmetro interno da argola precisa ser cerca de 1 cm maior que o diâmetro do varão. Menos que isso, a cortina engancha e você puxa com força, que é o que arranca ilhós. Mais que isso, a peça fica bamba e as ondas ficam irregulares.
O espaçamento entre ilhós, geralmente de 16 a 18 cm, define a profundidade das ondas:
O número de ilhós precisa ser par, e quase ninguém confere isso. Com número ímpar, as duas pontas do painel terminam para lados opostos, uma para frente e outra para trás, e a cortina fecha torta contra a parede. Se for comprar cortina pronta, meça o varão e confira o furo do ilhós na embalagem, porque essa é a incompatibilidade mais comum do varejo.
A metragem: menos que outros acabamentos, e por quê
O ilhós pede de 2 a 2,5 vezes a largura do vão, menos que a prega francesa, que pede de 2,5× a 3×.
O motivo é estrutural: a onda do ilhós é formada pela própria argola, que força o tecido a curvar em intervalos regulares. Não depende de acumular tecido franzido para criar volume.
No orçamento isso aparece duas vezes, porque o ilhós economiza em tecido e em confecção ao mesmo tempo, já que não há pregas costuradas uma a uma. É o acabamento com melhor custo total do catálogo. O limite fica em 2×: abaixo disso o painel fica esticado e as ondas quase desaparecem, principalmente em tecido leve.
Ilhós e tecido: o que combina e o que não
O ilhós impõe ondas rígidas e regulares ao tecido, e nem todo material responde bem a isso. Funciona muito bem com:
- Poliéster e blends de gramatura média, que mantêm a onda com regularidade
- Blackout, cuja rigidez ajuda a formar ondas definidas
- Algodão de trama fechada, com corpo suficiente
Funciona mal com:
- Linho puro. A onda regular do ilhós achata a textura irregular da fibra, que é justamente o que se paga no linho. É combinação que desperdiça o tecido.
- Voil muito leve. O peso da argola puxa o tecido fino e cria repuxo visível no cabeçote.
- Veludo pesado. O peso concentrado em poucos pontos tensiona demais e pode rasgar o tecido ao redor da argola com o tempo.
Resumindo: ilhós pede tecido de gramatura média e comportamento previsível. Tecidos nobres com textura própria merecem acabamento que os valorize.
A argola desliza em contato direto com o varão, e isso desgasta. Com o tempo, varão pintado ganha riscos da argola metálica na faixa de deslizamento, e as marcas ficam visíveis justamente quando a cortina está aberta; varão de madeira marca e chega a criar um sulco; e varão de acabamento fosco ou texturizado gera mais atrito, deixando o deslizamento áspero.
O que escolher:
- Varão de metal liso e polido, o par ideal, com deslizamento suave e sem marca aparente
- Ilhós plástico em varão pintado ou de madeira, se o visual permitir, porque risca muito menos
- Varão de diâmetro compatível, para o contato ser leve
Varão longo sem suporte central arqueia sob o peso, e a cortina passa a travar no meio. Em vãos acima de 2 metros, use suporte intermediário, desde que ele não bloqueie a passagem das argolas, o que exige suporte específico para ilhós.
Onde o ilhós é a escolha certa
Ele tem um perfil de uso bem definido. Em imóvel alugado é imbatível: varão simples, cortina pronta, instalação em minutos, e tudo sai na mudança. Em sala de TV informal entrega visual contemporâneo e descontraído por pouco dinheiro. E como primeira cortina é a porta de entrada natural, barata o suficiente para você experimentar um estilo antes de investir numa peça definitiva.
Em quarto de solteiro e infantil, some duas vantagens: lava fácil, troca fácil quando o gosto mudar, e não tem cordão, o que pesa a favor sobre qualquer persiana. Lembre que precisará de camada blackout se escuridão importar, tema tratado no guia de cortinas para quarto de bebê. Em casa que suja, com criança ou animal, a peça sai do varão em segundos, vai à máquina e volta.
Evite em quarto que precisa de escuridão, em projeto clássico ou formal, em sanca com trilho embutido, e em qualquer situação em que o tecido nobre mereça um acabamento melhor.
Ilhós ou a alternativa
O que faz o preço variar
- O tecido, que é a maior fatia.
- O multiplicador de franzido, de 2× a 2,5×.
- O material do ilhós: plástico, metal comum ou metal com acabamento tratado.
- A quantidade de ilhós, definida pelo espaçamento.
- O varão, que entra no conjunto, e varões decorativos podem custar mais que a cortina.
- Se é pronta ou sob medida. A pronta é bem mais barata; a sob medida resolve altura e largura corretas.
Para comparar propostas, confira o diâmetro interno do ilhós contra o do varão, o espaçamento, se o número de ilhós é par e o multiplicador de franzido. E some o varão à conta, porque ele frequentemente fica de fora da comparação.
O que definir antes de comprar
- O diâmetro do varão e o do furo do ilhós, com folga de cerca de 1 cm
- O espaçamento entre ilhós, entre 16 e 18 cm
- Número par de ilhós
- O multiplicador de franzido, no mínimo 2×
- O material do ilhós, considerando o acabamento do varão
- Se haverá bandô, caso escuridão importe
- A altura de fixação, subindo bem acima do vão
- A folga do piso, de 1 a 2 cm
- Suporte intermediário, em varão acima de 2 metros
- Se haverá segunda camada blackout
Perguntas frequentes
Cortina com ilhós escurece o quarto?
Não, nem em tecido blackout. O tecido nasce abaixo do varão e as ondas se abrem no topo, então sempre entra luz por cima, ao longo de toda a largura. Para escuridão real, é preciso bandô cobrindo o varão, ou trocar por blackout em trilho instalado por fora do vão.
Qual deve ser o diâmetro do ilhós?
Cerca de 1 cm maior que o diâmetro do varão. Menos que isso, a cortina engancha e você puxa com força, que é o que arranca ilhós. Mais que isso, a peça fica bamba e as ondas ficam irregulares.
Por que o número de ilhós precisa ser par?
Porque as ondas se alternam para frente e para trás. Com número ímpar, as duas pontas do painel terminam para lados opostos e a cortina fecha torta contra a parede. É um detalhe que quase ninguém confere e que estraga o caimento.
Quanto tecido preciso?
De 2 a 2,5 vezes a largura do vão, menos que uma prega francesa, porque a onda é formada pela própria argola e não por tecido franzido acumulado. Abaixo de 2×, o painel fica esticado e as ondas quase desaparecem.
Ilhós funciona com linho?
Funciona mecanicamente, mas desperdiça o tecido. A onda regular do ilhós achata a textura irregular do linho, que é justamente o que se paga nessa fibra. Linho pede pregas francesas ou wave, que valorizam o caimento natural.
As argolas riscam o varão?
Riscam varão pintado e marcam varão de madeira, criando um sulco na faixa de deslizamento com o tempo. O par ideal é varão de metal liso e polido. Se o varão for pintado ou de madeira, prefira ilhós plástico, que risca bem menos.
Serve para trilho embutido em sanca?
Não existe. O ilhós funciona exclusivamente com varão aparente, porque a argola precisa envolver a barra. Se o projeto prevê cortina "saindo do teto" com trilho embutido, o caminho é wave, prega francesa ou fita franzidora.
Vale a pena para imóvel alugado?
É a melhor escolha do catálogo nesse caso. Varão simples, instalação em minutos, cortina pronta com custo baixo e tudo sai na mudança. Se precisar de escuridão, some um rolô blackout colado ao vidro, que também é fácil de remover.